QUINTA-FEIRA, 22 DE AGO DE 2019
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NOTICIÁRIO - CULTURA
29 DE JULHO DE 2019
200 anos da joia do nosso patrimônio histórico

Sabará é conhecida por diversos prédios históricos. O Teatro Municipal é sem sombra de dúvidas um dos mais icônicos cartões postais da cidade. No último dia 2 de junho o Teatro completou 200 anos de uma rica história que se confunde não só com o desenvolvimento do munícipio, mas também do estado de Minas Gerais.

REFORMA

Fechado desde 2016 para obras de restauração, a casa de espetáculos da cidade está prestes a ser reaberta. As obras de revitalização incluem reparos no forro, piso, portas e janelas; recomposição do reboco sobre o adobe; nova pintura; instalação da nova rede elétrica; novo telhado; sonorização; instalação de dois elevadores para o público; colocação de um elevador no palco; reforma dos banheiros e adaptações para acessibilidade.

O valor estimado das obras é de R$ 3 milhões, sendo que 2,6 milhões são do governo federal – recursos do PAC Cidades Históricas – e R$ 480 foram investidos pela administração municipal. A previsão é que o espaço seja entregue novamente a população ainda este ano em uma data emblemática: 19 de setembro, Dia Nacional do Teatro.

FUNDAÇÃO

Inaugurado no dia 2 de junho de 1819, o Teatro Municipal de Sabará tem um grande peso histórico que permitiu que ele se tornasse um patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1963. No interior há galerias de madeira em três níveis com 41 camarotes nos dois primeiros níveis, uma galeria popular no último e uma plateia, com uma capacidade total de 320 pessoas. Ao longo dos seus 200 anos a Casa de Ópera de Sabará, como o Teatro era chamado antigamente, foi palco de importantes marcos históricos, como as visitas dos imperadores Dom Pedro I em 1831 e de Dom Pedro II em 1881.

Além disso, o teatro Municipal recebeu importantes grupos teatrais em grandes momentos das artes em Minas Gerais, inclusive com a participação de artistas renomados, como Paulo Gracindo, Ítala Nandi, Arthur Moreira Lima, Belchior, Roberto de Regina, Nelson Freire, Clementina de Jesus, Jackson Antunes, Felipe Silvestre, Marco Antônio Araújo e Maria Lúcia Godoy.

Vale ressaltar que durante sua trajetória o Teatro passou por períodos de decadência e grandeza. O prédio substituiu uma antiga casa que havia no mesmo espaço e que tinha sido erguida em 1770, mas que aos poucos já estava em desuso. A inauguração coincidiu com o nascimento de dona Maria da Glória, infanta de Portugal. Por isso, foram apresentadas em sua homenagem as peças “Maria Teresa, a imperatriz da Áustria” e “Selo d’amor”. A casa viveu seu auge entre 1840 e 1870, quando sua excelente acústica ganhou fama. Depois mudou de função e foi adaptado para o cinema, sendo chamado em 1915 de Cine-Teatro Borba Gato. Já durante a década de 1960 foi fechado, cedendo lugar a um bar. Mas em 1970 foi reaberto, sendo novamente uma casa de espetáculos.

A HISTÓRIA

De acordo com o historiador José Bouzas, a construção do Teatro durante o período do Brasil Império mostra a importância da vida social em Sabará nessa época. Ele afirma que a cidade já tinha uma população grande que exigia um ambiente mais propício para exercer a atividade musical e teatral, além de ser um novo local onde a sociedade se reunia e não mais apenas na porta das igrejas após uma atividade religiosa.

“Grupos de teatro e artistas que circulavam por Minas Gerais não encontravam um espaço adequado em Sabará. Há registros da existência de um ‘curro’, que vem de curral, no Largo do Rosário onde eram feitas apresentações de teatro ao ar livre, além de touradas, que era uma tradição portuguesa. Esse teatro foi um sucesso porque não precisava mais usar os tais ‘curros’ e ter que se apresentar na rua, além do espaço ter um conforto maior para o público”, conta José Bouzas.

O estilo arquitetônico do Teatro gera controvérsias. Alguns especialistas dizem que o prédio remete ao estilo elisabetano. Porém, há quem diga que o prédio foi feito no estilo italiano. “Esses dois estilos são prováveis porque o próprio teatro de Milão já vinha com uma ideia do teatro elisabetano”, afirma Bouzas.

Vale ressaltar que além da função cultural e artística, o Teatro Municipal de Sabará foi palco de atividades políticas e econômicas. Há registros de que eram realizadas operetas para arrecadar fundos para terminar algumas igrejas, como a Igreja de São Francisco. Além disso, a partir de 1830 houve um grande movimento para a abolição da escravatura e o teatro teve uma função extremamente importante para arrecadação de recursos para a alforria de escravos.

Durante seus 200 anos foram muitos os fatos curiosos que marcaram a história do Teatro Municipal. O historiador José Bouzas destaca um em especial: “O Barão de Catas Altas pagou um conto de reis para fazer um espetáculo na visita do imperador Dom Pedro I em 1831. Houve uma opereta muito bonita, mas um indivíduo que se chamava Pedro Gomes Nogueira, que era um vereador muito combativo, fez um comentário durante a saudação ao imperador. Esse vereador saudou ‘Viva’, mas em voz baixa disse que isso só valia enquanto o imperador respeitasse a constituição. Como o Teatro tem uma acústica muito boa, Dom Pedro I ouviu e isso gerou um clima desagradável”, lembra José Bouzas.

O historiador também se orgulha em dizer que fez parte grupo de teatro do Conselho de Artes de Sabará, atual Cena Aberta, e que se apresentou por quase 20 anos nessa casa. Ele via com preocupação a forma com que o espaço era usado antes da reforma com grandes aparelhos de som, uma vez que o prédio do teatro é em grande parte feito de madeira e dessa forma se mostra muito frágil.

“Espero que o Teatro finalmente tenha uma função que o valorize da mesma forma que esse espaço valoriza quem se apresenta nele. É uma honra poder se apresentar em um teatro desse e eu tive esse prazer. Espero que seja uma função nobre e que não venha a degradá-lo, como várias vezes fizeram em Sabará. Também é importante que ele tenha condições de receber turistas porque é um teatro belíssimo”, conclui José Bouzas.

PREFEITURA

De acordo com o secretário Municipal de Cultura, Hamilton Alves, será feita uma comissão para definir quais espetáculos serão realizados no Teatro Municipal revitalizado. “O Teatro será destinado para obras primas da cultura, da dança e da música porque sua conservação tem um custo muito alto e por isso não pode receber um grande número de apresentações”, diz Hamilton Alves. Agora, nos resta aguardar para que em setembro as cortinas se abram novamente para o público na grande casa de espetáculos de Sabará.

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