SEXTA-FEIRA, 20 DE JUL DE 2018
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NOTICIÁRIO - SOCIAIS
02 DE JANEIRO DE 2018
Taís abriu uma creche no Castanheiras baseada em amor e solidariedade

A dificuldade enfrentada pela cozinheira e faxineira, Taís de Assis Fernandes, durante a criação de sua filha e suas sobrinhas a despertou para a necessidade de uma creche no bairro Castanheiras.

Ela conta que quando saia para trabalhar tinha que arrumar algum lugar para as meninas ficarem e todas as creches ficavam muito longe. “A luta foi muito grande, tinha que sair de casa às 5 da manhã para deixá-las na escolinha lá no Bairro Esplanada, em Belo Horizonte, e só chegavam em casa depois das 7 da noite”. O tempo passou, as meninas cresceram, mas o sofrimento das mães do bairro Castanheiras continuava. “Fizeram a escola estadual aqui em 2005, mas eu continuava presenciando o sofrimento das mães. Aquela peleja de levar os meninos para creche muito cedo”, diz.

Em 2006, a faxineira saiu do serviço, então ficou mais próxima do dia a dia daquelas mulheres. “Fui vendo muitas crianças indo para escola descalças, outras com fome. Além daquelas que ficavam sozinhas ‘jogadas’ nas ruas. Não aguentei, resolvi alugar uma casa e receber os meninos. ‘Choveu’ de mãe”, conta.

Taís chegou a receber cerca de 40 crianças, elas tinham entre três meses e 15 anos, o serviço era voluntário, ninguém precisava pagar para deixar seu filho. A faxineira passou a levar os mantimentos de casa para alimentar a criançada. Era servido café da manhã, almoço, lanche e para alguns até o jantar. Duas mães passaram a contribuir com R$ 25 por mês, passou algum tempo, outra passou a contribuir com R$ 50, com esse dinheiro ela pagava água, luz e ia levando. “Algumas crianças chegavam a dormir na minha casa, porque as mães não buscavam”,lembra.

Com o passar do tempo, Taís foi tentando arrumar soluções para manter a casa e continuar recebendo as crianças. Fez um acordo com o coordenador do Programa Fica Vivo do Governo do Estado, as oficinas oferecidas pelo projeto funcionava na casa que ela alugou, dessa forma o aluguel era dividido. Na parte da tarde, quando estava mais tranquila, passou a fazer alguns trabalhos na AFFAS e não pedia dinheiro, mas doações para creche. Sua filha já estava com 16 anos e passou a dar aulas de reforço para os meninos.

Estava tudo caminhando, quando o Programa Fica Vivo terminou, o aluguel aumentou e a situação ficou difícil. Conseguiu outra casa mais em conta, mas teve que fazer uma reforma, conheceu a vizinha Maria Pena que passou ajudá-la a olhar as crianças. Taís foi atrás de mais recursos, então conseguiu o apoio da Belgo Mineira, hoje ArcelorMittal. “A Belgo me ajudou demais. Entrei em um projeto deles, todo mês eu recebia cestas básicas, às vezes vinham tantas que dividia com a comunidade”. Ela também passou a receber doações do Banco de Alimentos e de um açougue de General Carneiro.

Na nova casa que foi reformada, com areia e cimento doados, Taís chegou a receber 60 crianças, muitas dormiam no local, então comprou algumas camas, recebeu berço de doação e muitas outras coisas. “As pessoas me ajudavam muito. O tenente Cleber, comandante de Polícia de General Carneiro, sempre trazia doações. Além disso, fazia palestra sobre drogas para os meninos, Ricardinho também ajudava e muitas outras pessoas”. Durante a reforma da casa, o dono da mercearia emprestou um imóvel para receber os meninos, a dona da residência deixou Taís pagar da forma que pudesse e assim com uma corrente de solidariedade o trabalho foi se desenvolvendo.

A casa durou de junho de 2006 a 30 de abril de 2013, quando Taís foi obrigada a deixar seus meninos devido a um grave problema de saúde. Ela teve embolia pulmonar, ficou seis meses no CTI, saiu da internação, mas passou a ficar mais tempo no hospital do que em casa. “Eu tive três paradas cardíacas e três respiratórias. Hoje eu só durmo com o aparelho, por muitas vezes tenho que respirar com a ajuda do oxigênio. Eu queria continuar com minhas crianças, mas infelizmente não consigo mais. Meu coração ainda dói muito quando vejo uma criança que eu poderia estar dando comida e carinho, solta pela rua”, diz emocionada.

Hoje a tristeza de Taís ainda é ver muitas crianças que ela recebia em sua casa nas ruas, algumas já se envolvendo com drogas e ela não poder mais ajudar. Apesar de não estar com a creche, ela continua sendo referência no bairro. “Muitas mães deixam seus filhos comigo ainda, para ir ao supermercado ou ir a algum lugar mais próximo”, conta.

Taís diz que todo seu empenho foi muito gratificante. “Nós recebemos das crianças muito amor. É um amor verdadeiro. Hoje, elas passam por mim e gritam: ‘ Oi tia, boa tarde’. É muito bom receber esse carinho. Foi uma construção muito bem feita, fazia por amor, pena que não teve ninguém para continuar. Peço muito a Deus todos os dias para me curar, para eu voltar a dar carinho para essas crianças. “, concluiu.

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