DOMINGO, 16 DE DEZ DE 2018
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NOTICIÁRIO - EDUCAÇÃO
31 DE OUTUBRO DE 2017
Professores no limite

No mês em que comemoramos o Dia do Professor vamos falar um pouco mais sobre a profissão, apesar de na última edição já termos homenageado um grande mestre, nunca é de mais falar sobre os responsáveis por nossos ensinamentos.

O professor é aquele que ensina uma determinada ciência ou arte, segundo o dicionário, mas também é aquele que educa, assumindo uma dimensão bem maior.

A Educação, sob o ponto de vista individual e pessoal, é a formação e o aperfeiçoamento do ser humano. Sob o ponto de vista social, é a integração das novas gerações na sociedade, isto é, a transmissão às novas gerações, pelas gerações adultas, da herança social. O conceito de educar vai muito além do ato de transmitir conhecimento, educar é estimular o raciocínio, é aprimorar o senso crítico, as faculdades intelectuais, físicas e morais.

Educar também é função da família, mas infelizmente na atualidade, muitas famílias não estão cumprindo essa tarefa de forma adequada, por diversos motivos, e deixam a cargo das escolas essa difícil missão, o que tem gerado muitos problemas que atingem não só os estudantes, crianças adolescentes e jovens, mas também e principalmente os professores, já que muitos não aguentam uma carga tão pesada de responsabilidade.

Por isso é importante olharmos para esses profissionais com mais atenção e percebermos seus momentos de fraqueza e suas necessidades. Infelizmente casos de profissionais da educação que têm apresentado problemas psicológicos estão se tornando cada vez mais comuns. Esses professores sofrem com crise do pânico, depressão e a mais recorrente síndrome de Burnout. Mas o que fazer diante desses problemas?

Segundo a coordenadora pedagógica do Colégio Villa Real, Andréa do Nascimento, a síndrome de Burnout afeta principalmente pessoas que trabalham diretamente com pessoas, e é caracterizada quando o profissional chega a um ponto extremo de stress que não suporta mais o trabalho. “Ele não consegue mais fazer aquilo que fazia com naturalidade, algo que era corriqueiro, não consegue mais ter uma resposta do seu trabalho”, diz.

Ela explica que os sintomas são emocionais e também físicos. “ A pessoa fica cansada, apresenta uma fadiga frequente, mesmo tendo um período de descanso o retorno para o trabalho é desgastante, perde-se o ânimo e o interesse pelo trabalho”, afirma.

A coordenadora diz que o problema é que a própria pessoa não consegue se perceber dentro desse abismo, por isso não pede ajuda. Além disso, o seu grupo de trabalho muitas vezes não reconhece. A pessoa então se aprofunda em uma depressão.

Diante dessa situação, a pedagoga diz que o mais importante e a melhor forma de minimizar o problema é o autoconhecimento. “A pessoa deve se conhecer, e também é necessário saber o que existe de estudos a respeito dessas síndromes. O professor se instruir é a primeira questão. Se ele souber que já existe isso, que ele não é o primeiro a sentir e que isso é passível de ser tratado, fica mais fácil. Além disso, quebra preconceito tanto em relação a ele quanto em relação a um colega que pode passar por isso”, explica.

Andréa afirma que no Colégio Villa Real os profissionais tem acesso a este tipo de conhecimento, através de literaturas sobre o assunto que são disponibilizadas. Além disso, acontecem reuniões pedagógicas, que por muitas vezes extrapolam e passam para as situações do cotidiano que chegam ao emocional. “Aqui existe essa possibilidade da discussão. O que possibilita que o profissional se abra e perceba que pode pedir ajuda e ser acolhido”, diz.

Apesar de haver discussão e essa abertura no relacionamento com os colegas, a pedagoga ressalta que no Colégio Villa Real não existe nenhum profissional específico para acompanhar o emocional dos professores. Segundo ela, que trabalha na área de educação há mais de 20 anos e já atuou em escolas municipais de Belo Horizonte e Sabará, normalmente não existe um profissional de psicologia nas escolas específico para o atendimento ao professor. Além disso, também não é exigido um exame psicológico de profissionais que atuam na área da educação.

Para a diretora do Centro Pedagógico Novo Mundo, Maria das Graças, Tia Bia, o psicológico das pessoas é muito difícil de ser trabalhado, mas é fundamental entender que cada um tem seu limite. “Quando percebemos que algum professor está no seu limite, tentamos incentivar, vamos injetando forças, estimulando para que ele não desista, mas o mais importante é que a pessoa aceite ser ajudado. Tentamos fazer com que a pessoa se abra para receber esta ajuda. Lidar com a dor do outro é muito fácil. Agora, desnudar a vida do outro para ajudá-lo é difícil, porque são só as pessoas que dão o grau de condição para estar sendo trabalhadas e melhoradas”, afirma.

A diretora diz ainda que a escola incentiva e respeita, mas que quando a pessoa está imbuída na dor ela não consegue enxergar. “Os professores adoecem, tem melancolia, angustia e tudo isso, de certa forma, é levado para sala de aula, pois somos humanos e não tem como separar”, afirma.

Bia afirma que no Novo Mundo são realizadas reuniões pedagógicas, mas isso ainda é pouco. “Isso não quer dizer que o profissional vai estar 100% com seu emocional. Primeiro, porque depende do lado genético, segundo, porque ele tem que querer e o terceiro ponto é que a cura não vem de fora”, ressalta.

Ela diz ainda que temos que trabalhar muito, pois pessoas estão adoecendo emocionalmente, porque a busca é ser percebido, é ser amado. Por isso, no Novo Mundo é trabalhado um olhar afetivo e carinhoso com o outro, para compreender as pessoas. “Conversamos, escutamos, então temos que ajudar essa pessoa a superar e recuperar. Mas não deixa de ser algo muito difícil de lidar”, destaca.

Em nota a Prefeitura Municipal de Sabará, disse que busca promover um ambiente de trabalho favorável, realizando reuniões, encontros e bate-papos com os seus colaboradores rotineiramente. “Com isso, no caso de identificação de algum profissional que necessite de acompanhamento e apoio para um melhor resultado nas tarefas, de forma geral, é oferecido auxílio, feito inicialmente nas unidades de saúde e assistência social do município por uma equipe multidisciplinar. Ressalta-se, por fim, a importância da manifestação individual pessoal diante de situações adversas, bem como do "aceite do tratamento", se tornando fator imprescindível para a excelência na prestação do atendimento em saúde e acompanhamento, com vistas, sobretudo, à melhoria da qualidade de vida".

EDUCAÇÃO
11 DE MAIO DE 2015
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